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sexta-feira, 26 de julho de 2013

O velhaco e seus sentimentos

Ele me provoca os instintos mais primitivos

Ele é agressivo, mas nem por isso tem coragem; não sabe o que é afetividade, nem efetividade; ele causa aflição em vez de simpatia quando sorri de soslaio;

De altruista não tem nada, mas sobra-lhe ambivalência; confunde amizade com camaradagem e companheirismo bom e batuta;

Amor para ele é angústia, ansiedade; sua empatia logo se transforma em antipatia; o arrependimento não é jamais pela sua apatia; cobre-se de autopiedade para esconder a arrogância; mistura bondade, carinho, compaixão com ciúme, inveja e constrangimento;

Sua coragem disfarça a culpa; curiosamente seu contentamento causa depressão e rima com desapontamento; seu deslumbramento desperta menos dó que decepção; sua verdade é dúvida; seus acenos de esperança são a linha do egoísmo; seu entusiasmo é euforia que beira o fanatismo que leva à sua fajuta epifania;

Sua felicidade tem o preço da frustração que remete à frieza da gratificação e à dureza da ingratidão; ingratidão lhe desperta a histeria da gula que leva ao mau-humor e à hostilidade; acha que humildade é humilhação e curte um tipo de incômodo diante de quem tenha inspiração;

Há dentro dele uma permanente indecisão entre interesse, inveja, a ira, o ódio; vai ao isolamento e, por luxúria, deixa-se no ostracismo até que lhe passe a mágoa, e melancolia e o medo; faz do nojo a face do seu orgulho que quase não o deixa esconder a ostentação;

Não tem paciência com as paixões, nem pena, nem piedade; seu prazer é fingir que não tem preguiça; qualquer preocupação se traduz em pânico disfarçado de falsa resignação; não guarda remorso e tem raiva de sobra; só a solidão lhe causa sofrimento;

Uma surpresa fora do roteiro que seu ghost writer escreve o deixa coberto de susto, banca o tímido e cai prostrado em profundo tédio;

Sua indisposição para com a verdade não surpreende mais ninguém, ele é capaz de tudo e mais um pouco para manter sua soberba, sua pretensão de superioridade sobre todos e acima de tudo; e aí então não tem a menor vergonha de suas ostensivas manifestações de arrogância.

É assim tão sem vergonha que não se furta de apresentar esse perfil como cartão de visita e como uma espécie de salvo-conduto para subir a rampa de um palácio, ou as escadarias da presidência de uma dessas republiquetas de banana que infestam o Cone Sul do Mundo.

Esse tipo de oportunista manhoso, velhaco, safo, biltre, poltrão, me provoca os instintos mais primitivos. É quando saio de mim mesmo e posso assumir até a personalidade de um mensaleiro que apunhala mensaleiros pelas costas. É quando, então, acordo com indisposição estomacal. Bendita liberdade para vomitar tudo que me fez tanto mal!