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quarta-feira, 28 de maio de 2014

DEMOCRACIA VIRA DITADURA

Riscar o chão da pátria para impedir o ir e vir das pessoas é próprio de ditadores, de tiranos.

A mídia domesticada, sócia do governo, bate o pé, reclama e faz média com o governo Dilma. A pandilha de colunistas amestrados lamenta que “a 16 dias da Copa do Mundo, pequenos grupos de manifestantes” estejam testando os limites da condescendência do governo brasileiro.

E escorrem lágrimas de gente grande que fazem inveja a qualquer crocodilo fingindo que noticiam um fato: “grandes cidades como Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro voltam a enfrentar tumultos e engarrafamentos provocados por minorias”.

Os blogueiros associados enfiam do jeito quer lhes faz bem o que acham dos acontecimentos: “o entusiasmo da maioria por receber a Copa do Mundo vai sendo abafado por cenas fabricadas sob medida para serem transmitidas ao vivo pela televisão; basta interromper uma grande avenida para conseguir atenção global”.

Perahê, ô! De onde saiu esse “entusiasmo da maioria por receber a Copa”? Cadê as ruas enfeitadas, cadê as caras pintadas de verde-amarelo; cadê as bandeiras nas casas, nas portas, nos muros; cadê as ruas enfeitadas, vestidas de Brasil; cadê a recepção à seleção dos cartolas? Se isso é entusiasmo da maioria, a vó desses caras é bicicleta!

Mas, eles não se cansam; querem manobrar a massa e balançam a pança: “o plano de segurança do governo vai sendo desafiado a ser colocado em prática com rigor”.

Perahê, de novo, cambada! Isso é uma notícia, ou uma ameaça? Querem dizer que vai ter Copa com mais força ainda?!? Ah, tá. Pódexá, a gente se previne. Já tá ficando acostumada.

Mas, olha bem aqui, pandilha de sevandijas, deixa-me dizer só uma coisinha: uma democracia vira ditadura quando o governo se dá o poder de governar demais.

Riscar o chão da pátria com linhas imaginárias para impedir, travar, trancar, cercear o ir e vir das pessoas – digam elas, ou não, o que o governo não gosta de ouvir – é próprio de ditadores, de tiranos.

Eu estava lá, como observador; queria, num rasgo de babaquice, ver de perto a tal taça de ouro. Eu vi, a polícia a cavalo traçar a fronteira que o governo mandou estabelecer em nome da Fifa.

Eu vi quem começou o tumulto. Uma cavalgadura deu o primeiro coice. E eu vi, de perto, a democracia sendo ditadura.

Esse governo começou a governar demais. E muito mal. Pior do que daquele jeito ruim que governava como se fosse uma democracia.

Uma manifestação popular de indignação e descontentamento não precisa ter milhões nas ruas.

Isso é coisa para as marchas ordenhadas com bandeiras de centrais sindicais associadas, para os camaradinhas estrelados de antigas uniões estudantis que já não voltam mais; para as alegres, coloridas e didáticas passeatas de orgulho gay, para os encontros universais de umas que outras igrejas de esquina, para as filas de inscrições do Enem.

As manifestações que se espalham pelo Brasil de ponta a ponta, não precisam mais de cinquenta, cem, duzentas ou duas mil pessoas para estancar uma cidade, seja ali em Arrancatoco, na gloriosa São Paulo, capital da América Latina, ou até mesmo em Brasília, Capital da Esperança que voltou a ter medo.


E é isso, justamente isso, o que esquenta a cabeça furada desse governo que não sabe o que fazer para continuar teimando que “não vai ter baderna na Copa”. Se o governo estiver de férias, decerto, não haverá baderna na Copa. 

Com o governo de férias, nem os Black Blocs vão aparecer nas ruas. A sua fonte pagadora estará de folga.