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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O MAIS FAMOSO ESCONDERIJO DO MUNDO

Há 50 anos exerço, bem e mal, a profissão de jornalista e isso me viciou em liberdade de expressão. Confesso que falo mais do que ouço. Mas esse vício eu peguei há coisa de 28 anos quando, em 1985 Zé Sarney assumiu a Presidência da República para "restabelecer" a democracia no Brasil.

De lá pra cá, os brasileiros e as brasileiras ficaram dependentes das drogas de pronunciamentos oficiais feitos por longos períodos de notícias prontas.

Brasileiros e brasileiras viraram drogaditos de declarações tão festivas quanto definitivas sobre cada um dos feitos que não eram e não deixam de ser mais do que obrigação de qualquer governo.

E os pauteiros da grande mídia mandam seus ratoneiros correr atrás de entrevistas coletivas como se estivessem à cata da verdade, no excelso cumprimento de uma ordem patronal respaldada e garantida pela verba da publicidade enganosa que o governo, maior patrocinador do país, lhes dá de mão beijada.

Para garantir a edição da História Oficial, o  porta-voz do poder dominante paga, com dinheiro público, cada palavra jogada ao ar, cada segundo de exposição, cada centímetro-coluna de jornal; paga assim de um jeito que a grana parece sair aos borbotões dos bolsos recheados dos próprios "entrevistados".

Falo mais do que ouço há 28 anos, pela simples razão de que sou jornalista em Brasília há mais de 36 anos e, da Asa Sul à Asa Norte onde sempre morei - com uma passagem de três anos pela QI-27 no Lago Sul - sempre vi de perto, me mantendo distante, o impoluto Palácio do Planalto.

Os habitantes desse palácio foram - você não vai nem acreditar - piorando o projeto de democracia que o Brasil precisava, numa incrível ordem crescente no que pode haver de avesso à sinceridade e lealdade a um povo bom, alegre e crédulo. Acredite se quiser, Sarney saiu e entrou Fernandinho Beira-Collor. Entrou e saiu escafedeado pela porta dos fundos. Quer dizer, conseguiu ser pior do que Sarney.

Aí veio Itamar Franco, um tampão que gostava de pão de queijo e de andar de fusca. Surge então, o Príncipe dos Sociólogos brasileiros, FHC que curtiu quatro anos a mais do que devia e não fez o que tinha que fazer.

Eis que, senão quando e não mais que de repente, surge Lula da Silva, o inventor da cultura da esperteza nacional: quem não mentir, não sabe de nada. E via a "estratégia da coalizão pela governabilidade"  - a consagração do toma-lá e dá-cá, do "quanto você quer pra ser meu aliado?".

São 28 anos seguidos cuidando para que meus ouvidos não sejam os urinóis das notícias prontas e definitivas; por isso falo mais do que ouço nesse Brasil. Dilma da Silva.

Lamento que estejamos hoje à beira do Marco Civil das Comunicações, codinome Governança da Internet - plano urdido e acalentado por Lula desde de 2002 quando subiu a rampa para não mais descer, posto que ainda hoje preside o Brasil.

Resta-me hoje o jus sperniandi e ainda me sobra liberdade de expressão suficiente para alertar aos mais desavisados que nesta nação, sempre que um governante mente é porque ele esconde algo mais pernicioso que a própria mentira. Em verdade, vos digo: o governo brasileiro é o mais famoso esconderijo do mundo.