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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A República dos Calamares

Continuar falando de Celso de Mello é dar-lhe mais importância do que ao cargo que ele ocupa.

Continuar falando desse Celso de Mello, mais do que do poder do cargo que lhe caiu no colo de mão beijada pela insanidade de um sistema de justiça draconiano e zarolho, é dar-lhe uma dimensão e uma importância que só o cargo desse time de 11 ministros acima do bem e do mal merece que se fale.

Não é dele que venho garatujando conceitos de mero escravo da Democracia da Silva que foi implantada no meu País desde que em 1985 o pernicioso Zé Sarney começou a fazer desse Brasil um imenso Maranhão. É do espírito da lei, da alma de uma nação submetida aos poderes que o uso e abuso da Constituição vem desconstruindo.

Não é letra fria da lei que serve para apaniguar amigos e execrar a quem não é da pandilha. O poder do voto definitivo e derradeiro cabia bem mesmo para a grega Palas Atená, uma espécie de clone da deusa romana Minerva. Mas ela era deusa, pôhaa! Esses 11 ungidos do STF só são supremos porque foram escolhidos a dedo por imortais de academias, por desletrados palacianos e até por postes iluminados.

O que serve nos dias atuais dessa República re/democratizada por guerrilheiros emborrachados de balas de hortelã, arrombadores de portas de fábrica, exilados da Sorbonne e fanáticos por Cuba-Libre é o direito moral - divorciado do jeito estrelado de governar - e não o direito formal, procrastinador, delongueiro e safardana que consegue legalizar o que não pode ser legitimado.

Celso de Mello é pequeno demais diante do cargo que é supremo em demasia para um País que abomina o totalitarismo, mas sobrevive ao engano, à farsa, à corrupção dos costumes e ao achaque às burras públicas. Não é dele que se fala; é da moral que o Brasil da Silva desdenha e sempre quer comprar.

Celso de Mello foi apenas o portador do recado de um regime de governo que não se respeita; que não tem o dogma, a crença, e nem ideologia e que, no entanto,  aparenta dar rumo social às leis.

Para a democracia que aí está posta e bem servida em cargos possantes e fortes como esses que se agarram à barra do STF, a moral não é outra coisa do que senão uma coleção de sentenças que, para alegria dos procrastinadores, jamais se converterão em mandamento; pelo contrário, elas serão apenas exceções a todas as regras de uma sociedade atônita e submissa, já que proferidas engenhosamente com base no cálculo de sua utilidade, no tamanho exato do seu retorno às camadas privilegiadas.

Não se trata, pois, de um Celso de Mello a mais ou a menos na vida da República dos Calamares, descobridora da Democracia da Silva; trata-se - graças ao longevo julgamento de uma caterva de corruptos, lavadores de dinheiro e quadrilheiros - da descobrimento de uma das pontas mais agudas da tirania encravada com pleno domínio dos fatos no Estado brasileiro; trata-se da descoberta de um poder que tem contornos de ditadura e atende pelo codinome de STF e pelo seu novo nome próprio por extenso: Supremo Tribunal do Governo Federal.

No contexto constitucional dos Poderes da República dos Calamares, neste Brasil da Silva, o Legislativo é um enteado do Poder Executivo, hermafrodita mãe sem tetas do Poder Judiciário.